E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR.” Jó 1:21
Às vezes o muito cuidado é pouco. Certas situações exigem bastante atenção, especialmente quando viajamos. É preciso ter cuidado com tudo que se passa ao nosso redor, mas a coisa mais importante é depositarmos nossa confiança em Deus. E mesmo que não possamos entender alguma coisa, devemos louvá-lo por seu amor e cuidado constantes.
No dia 01 de abril estávamos desembarcando em Quito, Equador. Essa viagem foi maravilhosa e ao mesmo tempo, um tanto conturbada. Saímos de São Paulo, fizemos uma escala em Lima, Perú. Há alguns meses atrás resolvi comprar uma mala que fosse compacta. Com o passar dos anos aprendi a levar o mínimo possível de roupas. Pra não ter que ficar me estressando com excesso de peso. Nessa viagem isso se tornou um problema. Em minha mão direita levei um porta-ternos com camisas para vários dias, dois ternos e gravatas. Nos ombros estava levando uma mochila com meu lap e na outra mão uma jaqueta de couro com minha carteira no bolso. Parecia um verdadeiro farofeiro (rsrsrs)…
Fizemos uma parada de mais de duas horas em Lima. Ao embarcar chequei minhas coisas, passei pela máquina raio-x e segui para o embarque. Ao entrar no avião, coloquei meus pertences no bagajeiro acima de minha poltrona. Quando o avião pousou, rapidamente me levantei e fui pegar minhas coisas, então notei a falta de minha jaqueta. Nesse momento pensei: Ah! Deve ser uma brincadeira dos “meninos”. Mas ao comentar sobre o assunto, notei que não. Procurei de novo e percebi que realmente ela havia desaparecido.
Fiquei desesperado! Imediatamente fui falar com a aeromoça e disse a ela tudo o que acontecera para que tomasse algumas providências. Naquele momento tive dúvida se realmente havia guardado a jaqueta, ou se a havia deixado na máquina de raio-x em Lima. Apesar dessa não ser muito distante de Quito, já estavámos em outro país. Quando desembarcamos, a primeira coisa que fiz foi procurar o Pastor Remberto Sarzuri, tesoureiro da união que nos convidara. Pedi que me ajudasse e assim que ouviu tudo, fez algumas ligações pra tentar resolver o problema.
Aproximadamente uma hora e meia após, estávamos viajando para Santo Domingo, quando ele recebeu uma ligação da Associação local dizendo que a pessoa que encontrou a jaqueta tinha ligado. Na jaqueta estavam todos os meus documentos, mais duzentos e cinquenta dólares com excessão do passaporte. Era tudo o que tinha pra passar os dez dias que permaneceria ali.
A pessoa foi muito gentil, mas não aceitou que ninguém buscasse a jaqueta. Exigiu que eu fosse pessoalmente. Nesse momento comecei a pensar em todo o ocorrido e notei algumas informações inconsistentes. Me bateu um pouco de medo, por não saber com que tipo de gente estava lidando. Foi quando resolvi orar sobre o assunto. Estava precisando do dinheiro, aliás é horrivel estar viajando, especialmente pro exterior e sem dinheiro. Essa foi uma piores sensações que já senti. Parecia que estava desamparado. Realmente estava cansado, mas não conseguia me lembrar de algum erro meu.
Continuamos viajando e depois de uns dois dias voltamos a Quito e a primeira coisa que fiz foi pedir para alguém me levar pra buscar a jaqueta. Era um bairro bem distante do local onde estava. Na verdade, precisamos cortar toda a cidade de taxi pra poder chegar ao local referenciado pela pessoa que nos ligara. Estava pronto para a apresentação. Havia chegado de uma viagem de cinco horas e meia. Estava muito cansado, mas teria que voltar logo pra poder cantar. Quando encontramos a pessoa ela disse que havia se confundido e levado o meu casaco por engano.
Fiquei feliz pelos documentos, por poder me agasalhar, pois estava num lugar frio e por ver que havia dinheiro na carteira. Em todo tempo a pessoa passou uma impressão de ser muito justa e boa, por isso, peguei tudo e nem tive a coragem de conferir o conteúdo. Quando fui conferir, havia sido roubado em cem dólares. Não sei até hoje o que aconteceu direito, por que a pessoa entregou tudo e não levou todo o dinheiro. Bem, agradeço a Deus por cuidar dos meus pertences. Não fiquei chateado por ter perdido cem dólares. Naquele momento só me lembrei das palavras de Jó: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR.”Jó 1:21.
Pensei comigo, estou aqui para fazer a obra do Senhor. Se ele não me devolverem esse dinheiro eu sei que ele pode e me dará em dobro por que sou seu servo. Naquela viagem não gastei um só tostão do meu bolso. Nossos anfitriãos cuidaram de nós bem direitinho. Recebemos um tratamento bem melhor que merecíamos, apesar da canseira que nos deram (rsrsrs, é que trabalhamos bastante, mas foi com prazer). Posso dizer que faria tudo de novo, pois sei que Deus anda lado a lado com seus filhos.
Abraços. Társis Iraídes.